10 bilhetes que fingem ser amor

I.
Joana, você foi lá em casa e brincou com
todos os meus velhos brinquedos
Desde então não consigo mais brincar
II.
Lucas, demorei pra perceber que eu
nunca quis ganhar nenhuma discussão
Desculpa
III.
Paula, você gosta de sadomasoquismo
e quiabo
nunca conheci ninguém assim
IV.
Leo, ainda sinto o cheiro
do seu vomito no meu tapete
o estranho é que não incomoda
V.
Cara Sara, você me chamou pra beber
só pra dizer adeus
E nem pagou a conta
VI.
Querido João, você adora pão de mel
Mas eu já adorava pão de mel muito antes
Escolha outra coisa para adorar
VII.
Ana, conheci muitas Anas
Mas só você puxava o meu cabelo
Agora eu tô careca
VIII.
Vítor, a gente se conheceu com minha
pele eclodindo e você me chamou de bonito
Te dei meu número e até agora você não ligou
IX.
Laura, você roubou o meu casaco
Não preciso de tanto calor e conforto
mas também não queria ficar louco
X.
Henrique, meu olhar era só carência
Você confundiu com outra coisa
Agora eu tô confuso

Poemas Sem Luxo

I.
Mariana com o deserto no cabelo e a vassoura na mão
Espera por um homem que nunca vai voltar. Talvez ele volte.
A chinela de rasteira no dedo está cansada
A vida parece uma paisagem pintada
Onde não coube a minha silhueta de mulher
Vastos olhos de homem me amedrontam
Só amei uma vez
E gostaria de nunca mais amar de novo
Numa árvore de monóculos
Os pássaros zombam de mim
Serafim é o primeiro a dizer
Fim.
Antes do verbo chegar

II.
Assombroso
O Sol se levanta para as menininhas brancas da América
Ensinaram pela metade o abecedário pro muleque
Que queria jogar futebol
Esperaram ele voltar depois da queda do Alemão
Ele, com seus quarenta carbúnculos de idade
Corria para vencer o juros
No revezamento 3×4
Das Olimpíadas no Rio de Janeiro
As menininhas choraram
Pois o Giba não estava para apanhar a bola
Quando ela bateu no chão

III.
Minha filha, agradeça
Por não se chamar Philomela
Por ainda ter a língua na boca
Por rodar bambolê magreza
Desfilar coxa de telenovela
E não se chamar
Philomela

Se te cortarem os cabelos
E de brasa a força estrangalharem teu fogão
Não foi por causa do nome
Foi a fome que bateu na educação

IV.
Sonho com um mundo
Feito de estradas
Distraída me esqueço
De virar na rua de Fevereiro
E o que me resta
É uma sala apertada
Onde um finge ensinar
O outro finge aprender
Enquanto escuta as marchinhas
Deformadas no seu porta TV

V.
A noite foi longa
Durou uma vida inteira
A festa em que as Musas foram convidadas
Estava vazia
Veio a esperança me bater a porta
Descomedida
Onde já se viu!?
Mandei ela pro diabo

VI.
O porteiro não é mais um porteiro
Ele é um homem com celular.
O estudante não é mais um estudante
Ele é uma aberração da tecnologia.
O bebê pode ser um bebê
Ou pode ser um robô
Só tem quem encomendar.

VII.
Displasia carioca
Odeio doenças
Parecem preocupações que se tornaram verdade
Cidade, cidade,
O prefeito disse que ela
Foi andar descalça na rua
Tomou tiro no peito e no joelho
Pra aprender que se quiser ser preto
Tem que se vestir direito
Jogar hidróxido no cabelo
Dançar no asfalto até a Lei dizer
Para
A inscrição na porta dizia
This is not Africa
Os turistas se confundiram
Levaram embora a pompa dos ducados
E foram buscar outras colônias para fazer de tapete

VIII.
Eu tenho duas mãos
E uma vontade danada de fazer besteira
Tá tudo dando errado
Meu carro quebrado
Meu seguro cortado
Meu marido desempregado
Meu filho desplanejado
Minha irmã me disse,
Vai, Carla! ser vadia na vida
Te ensino a ganhar os trocados
O trabalho é mole com certa dureza
Ajuda se você gostar
Ou falsear na hora da prensa
Porque homem que é homem mesmo
Nem liga pra o quê a gente pensa

IX.
Tem um papagaio
Dentro da minha cabeça
Ele queria algo mais privado
Mas dei de falar tudo o que ele pensa
Hoje ele vive solto
Nas páginas virtuais dos monges colombianos
De um salto ele surge
No café da manhã
Preso no computador
Tento não olhar
Não dá,
Tem outros papagaios querendo falar
Me acalmo
Me esquivo
Pro meu apreço
Ainda existe uma gaiola lá

X.
Um homem gritou
Vai se foder!
Meme de cú é rola
Capitalismo de cú é rola
Filosofia de cú é rola
Mito de cú é rola
Quando acabou,
Voltou para sua caverna
E ficou a desenhar enormes manadas de feras
Amanhã tinha caça
Que mal amanhã lhe esperava

NO SHOULDER PAT

I am not heartless
but something happens to you when you love a thing so much
a little rotten by the sides, a little muzzled in the top, a little scratched in the backs
make up on my pains everyday
until i forget them
shade the past with leaves of autumn past
stupid past
stupid detectives of thrillers and cultural mass
let the criminal breath at least
he only takes for he has lost
the tragic loss
of a beast’s heart

I shared nine lives with you, only one survived.

my father comes in the room
braving his shadow at noon
slaying some lies with his broom
telling me to rise, clean the dust out of my shoes
No use to be gloom, boy
There will be others, you’ll see how soon

Raving my elbows
Checking my spasm
Hearing the song
I heard dead last March
the bells are ringing
The sheets are white
Here comes the bride
She holds her smile tight
She knows future keeps sadness in closets for surprise

Nervous as I am, unforgiving as I am, unbearably honest as I am
I tell her my truths
She hates the poor actor that I am
You could’ve put up a show
You could’ve let the lights glow
Oh, what a tragic demise
Knowing what I know
Too huge a paper
To sign at the bottom left
Us. A failure.

Give me my burrows back
Give me back my smokes and fogs and landscapes of the west
Those were my dreams you shattered on the floor
Those were my dreams you sheared you foot on
Those were my dreams you whipped clean the beauty off

No embroidered cloths. No gold. No silver. No lights.
Only glass.

Ridiculous I was to love you most
And in the stillness of your laugh
Suffer still
Suffer silence
Suffer regret.

I shared nine lives with you, lost at the count of why.

Here comes mom, telling she was right again
Right even before men knowing what rightness was then
Telling life gives no shoulder pat
You need to be erect
Raise your chin, give memory no respect
You could be king, a prince adviser at best
But please, be aware you are wearing the fool’s hat.

So said the sign that mom read.
The road was dark and bawdy
We heard the night sing
Squalor squalor squalor.

Anacoluto

Nasci, tive vergonha de todas as minhas falhas. Um anacoluto desgarrado, que mirou longe demais e nunca teve certeza do alvo. Eu, se dissesse que todas as minhas escolhas foram por parcimônia, que vergonha. Sempre tive medo do Inegável, mas fui mestre do engano – virava olhos olhando por dentro e me sorria o sorriso que dizia tu és perfeito. Hoje o que sinto só poderia se traduzir num verbo aorista da azia, o estômago que se torce para digerir tamanhos. O Sol já tinha se despedido, eu, de grandeza despido. Veludosas vozes vulcânicas, não preciso de ninguém para me dizer que sou pequeno. Só já sou bastante. Um vasto ponto numa folha em branco.

Morri, procurei por linhas a quais me agarrar, curvas, precipícios, qualquer forma que a mim somasse. No caminho vi surgir letras, que traços! Marcavam o desespero de uma nova era – a quem se juntar, quais palavras abraçar, o bacanal das melodias, o estupro harmônico da alma, como alcançar o sublime estado de ser? Pueril. O contente sonho de para sempre se sonhar criança, se sonhar feliz sem saber. Mais que sonhar, si acreditar. Das dúvidas me preenchi, dos oceanos me usei, refúgios. Bastante obstante, ponto vim ao mundo e ponto parti.

Nasci, caminhava como se já conhecesse o antes e o depois. É fácil: ou tudo é erro, ou tudo é acerto. Sentei nos bancos mais baratos, aquele que mal se vê o palco, que se relanceiam as atuações, e mesmo assim sentia, jogarem os discursos de lá para cá. Aqui e ali. Hither and thither. Pro quiproquó da fala. Foi divertido, algum cão latindo me fez esquecer o conflito. O mais doce da vida é se distrair dela. Por isso música, que não é nada, senão intervalos. Perto ou distantes não importa. São intervalos. Alguém respirava conscientemente quando saí da sala, estava tão focada no presente que nem notou o despencar da bolsa de valores.

Morri, detestava as propagandas. O ápice da civilização. Vermes do intelecto pululando mentes, buzinas e estrondos entorpecendo células brancas, e no que parece um milagre não planejado, os pés incidem na comodidade do ruído. Numa brincadeira mal planejada, tudo pede para ser olhado, observado, com presteza atenção. Fui cego de dois olhos: o de dentro e o de fora. Um desgraçado desagradável, morri. Fazendo sorrir alguns e poucos, não me disseram, porém pensei. Fiz de mim o que não soube, e o que podia fazer de mim não fiz. Que besteira.

Pererê caixa de fósforo

Quando a hora for certa, você saberá que já tem muito janeiro.  Eu não me ligo muito em janeiro. Mas agosto é quente em alguns nortes e as coisas que têm que acontecer, acontecem. A menina que fala bruto e tem sorriso derretido diria que essa minha resenha já ta muito ré. Ela disse assim mesmo, que ta ré. Mas veja bem? Um dia eu aprendi que a verdade das coisas é não esquecer e, então, comecei a olhar muito as pessoas nos olhos. Isso é coisa de grego. Mas gregos só ajudam a fazer tese, pois sempre se esquecem dos cantos das musas e criam pandoras pra agradar. Qual foi a última vez que você olhou dentro dos olhos de uma pessoa? Pra mim os astros estão sempre retrógrados. Minha mãe diria que ela é de Áries e que não se afeta com isso, e pererê caixa de fósforo (lê-se etcetera). A vida da minha memória existe há quatro ou cinco anos. O resto é como encontrar instantes numa pilha de folhas secas ou diferenciar os tipos de árvores do cerrado. A não ser que seja pé de manga, que é um pé formoso. Aqui as mangas são também formosas e lambuzam minha boca como um seio feminino. A memória é o caminho cheio de vida que o poeta toma pra desemborcar na morte. Quando forem muitos janeiros, eu vou me esticar ou me encolher? Não sei, eu gosto de coisa que enruga: ruga, cabelos, suas palavras duras. E quando forem muitos agostos, será que eu vou perceber?

A Pregação das Ondas do Mar

Se você quer sobreviver nesse mundo, aprende a dançar

Quando o relógio bater as horas vazias, pegue sua natureza vagabunda e se desfaça dela. O ninho, estranho no berço, mais estranho será no recomeço. Cative os outros com a mesma efemeridade dos significados das palavras: cada dia é um amor diferente. Dobre e torça suas expressões, até que elas caibam numa sentença que fuja a morte. Repita, repita, repita o que for de bom gosto. Ouça a corneta dos anjos que não toca para ninguém, a não ser você. Repita, repita, repita tudo aquilo que sua mãe Sofia lhe disse para fazer, nunca faça. O saber te engana. Sobe na sua cama, a consciência reclama, ela não precisa acordar. Uma vida dormida também é vida, e quem sabe mais vivida na cama. Ama a teus lençóis com o mesmo amor a pele e a luz que da cortina espia. Tenha em mente o grau das almas que jamais poderá medir, treina fingir, treinar pregar sua presença. Dialogue com as cadeiras, elas sempre estarão sentadas para te ouvir. Dê bom dia as flores, quanto mais venenosas, mais solitárias elas são. Ama a tua própria solidão, quando te esqueceres dela, não serás mais livre, há sempre uma sombra amarrada em teu pé. Tu carrega uma sombra, assim como a pedra também carrega a dela, mas apenas tu conhece o peso da tua. Tu achas que conhece. Já que as outras sombras lhe são tão estranhas, tão tolas e levianas, vivem numa leveza.

Se você quer sobreviver nesse mundo, aprende a dançar.

Toma o chá de manhã, se precipite na embocadura da espuma, deixe ferver a boca e agradeça ao arroubo de calor de toda manhã. Olha pro Sol e sente pena, ele é um coitado, toda manhã também é roubado. A vida é a maior ladra de todas, tira de alguns para dar aos outros. Tu também é ladrão, ninguém vem ao mundo santo. Jesus era um pobre coitado, achou que te livraria do pecado, mal sabes que tu nasceu sentado chorando querendo voltar pro antro. Todo berço é estranho. Não tenha duvidas! A dúvida é o maior erro necessário regularmente cometido. Saiba disso. Quando souberes, sentirá se livre para rir da seriedade das camélias – que séria não nasceu, foi trabalhada pelas mãos dos homens. Quando souberes, lembrará de tua mãe – que séria não nasceu, foi deformada pela força do tempo. Quando souberes, será superior aos seus pés atrofiados, velhos, limitados – tu dançaras em todo lugar, até onde não foi feito para dançar. Toda manhã tu acordarás tonto, de tanto giros que deste ontem, e de novo, o berço lhe parecerá estranhamente familiar. Tu tomarás o chá, e sem ter que pedir, a música começa a tocar.

Se você quer sobreviver nesse mundo, aprende a dançar.

Ele colocou a sela no cavalo de sapatos abotinados. Esse é um escravo, ele disse. Mas olha com teus ouvidos como pulsa perfeito o compasso. Ele dança sem nunca ter pensado a vida. É uma peça, o ator, o artista que jamais veio a saber o que é o palco. Vê? É a mesma jaula, e ele nos ilude tão perfeitamente. Corre, marcha, pula, come, voa encantadoramente. Esse ator, esse cavalo, que nome posso dá-lo senão Liberdade? Vem, me ajuda a limpar suas cristas que elas andam tão sujas e feias. Sabe, vou ter que vendê-lo um dia, é assim que te sustento, é assim que continua a fazenda. Preciso que ele esteja bonito. Quanto mais alto a beleza, maior o preço da venda. Eu sei, tu ficas triste, mas eu me contento. Olha para o lado, aquele corcel negro que vem lhe afagar – velho, pobre e doente, com esse tu sempre poderá ficar. Tem uma ferida no casco, não me presta o trabalho, mas olha como é amigo e bonito, ele te ensinará a dançar. Carregue o Sonho para longe, vá brincar, quando for a hora eu venho te buscar para o almoço. O corso do cavalo junto ao seu osso, atrás das figueiras, quem dirá que são duas coisas? Viva quantas realidades tiver que viver. Mas quando a hora chegar, eu te chamo pra jantar. Vou por tua mãe num prato de ceviche, vê se come com gosto.

Quando a aula for paga, vem pros meus braços descansar.

Um dia você tem que aprender uma coisa. Eu devia ter te falado que a tua mãe não é a tua mãe. A tua mãe é o mar. Tu vê aquelas costas? Gozadas? Tu vai chamar de Maceió. E ali, aquelas bundas, cheias de suntuosidades? Lá é onde todas as mãos gostam de passar, e a cada toque que lhe prestam nasce um morro novo, e cada morro um relevo, que nem o morro mais se conhece. Eu chamo aquela terra Pai, pois foi ali que colocaram o filho, e do lado o Espírito Santo. Se ainda tem algo de sagrado ali eu não sei – do que já foi profanada aquela terra, todo dia é uma foda nova. Doí, mas ela parece que gosta. E ninguém deveria mexer com o gosto do Pai. Às vezes eu tenho raiva do Pai, e queria me mudar. Me sinto abandonado, desprotegido. Aprendi que o Pai era o medo e a bondade. É por isso que eu digo, o meu berço foi um tanto estranho. Pai que era bunda que era mãe. E as costas ali, sempre sofrendo? É difícil perceber o corpo inteiro, e quando sinto que é tudo uma coisa só, meu cérebro começa a dar defeito. Tenho que recomeçar. Repito, repito, repito: o sonho me ensinou a dançar.

Todo dia é Dois de Fevereiro

Chegou, chegou, chegou. Afinal o dia dela chegou. Vou me embora daqui, não antes de me despedir. Quanto nome tem a rainha do mar? Quanto nome tem a rainha do mar? Mamãe, eu vou me embora, não antes sem chorar. Deixo a calma molhar a ponta dos meus pés, sentir a paciência da areia do mar. Sei que desse meio devo me separar. Aprendi a dançar, agora vou aprender a ser onda do mar. As ondas se propagam silenciosamente, com graça e ligeireza, porque nada as detém nem elas são prisioneiras da nostalgia. Uma sequência de intervalos e te dou a música. Uma sequência de separações e te dou a vida. Seguindo a imagem dessas ondas sucessivas. Hoje eu esqueço que tenho duas mãos. Para que ter duas mãos? Eu tinha duas mãos e nada mais. Aprendi a dançar, pegar essa coisa chamada memória e sem meiguices a magoar. Tudo vai se repetir e nada nunca será o mesmo, agora eu, onda do mar. Quando o relógio bater as horas vadias, toda natureza vagabunda vai ser onda e se quebrar.

Canto para Iemanjá

Se você quer sobreviver nesse mundo, aprende a dançar
Se você quer sobreviver nesse mundo, aprende a dançar
Se você quer sobreviver nesse mundo, aprende a dançar
Quando a aula for paga, vem pros meus braços descansar
Todo dia é Dois de Fevereiro

Dez poemas rasos e desconjuntados sobre A Incerteza

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I. A incerteza é uma figura de uma perna só
O balanço dos galhos se atrapalha
corre cansa em apanhar
O rabo desenha figuras
Geométricas indispostas
Deixa um rastro de resposta
E morre perdido
Na sua casa labirinto
Aminotauroacidou-se

II. A incerteza
não se satisfazendo
inventa outra língua
Cismando que nessa
Será mais direita

III. A incerteza
alvo furado
labirinto quadri universal
galinha que voa
cabeça dentro da boca
refúgio sombrio
receita intelectual kandiskiana
suplemento prometeico

Tudo tudo metáfora barata
Começar de novo?

IV. E se eu for um ovíparo que mama?
Ornitorrinco
E se eu for um vivíparo co’escamas?
Tubarão-lhama
E se eu não for nenhum dos dois
Há incerteza

A certeza é muita mutreta
Pruma certidão só

V. A incerteza,
Tereza
Não é uma nega
É você ser flafla
E não ganhar nada nada

VI. A incerteza é um chien andalou chinês
Filha do burrinho pedrês

VII. A incerteza
É tão cheia
De si
Que é tão cheia
De nada
A certeza pelo menos tem fé
Mas que também não anda com a cotação alta

VIII. A incerteza
Se trepasse
Ia ser um gozo tão cheio de dor
Mas já sendo
Porque não sabendo
Arrependimento

IX. A incerteza
É fonte que bebe e não sacia
Ainda bem.

X. A incerteza
Tenho certeza que se eu monetizar
Fico rico
Mas um belo dia
Andando na rua
Cheio dos despropósitos
Um caminhão passou dentro do meu corpo
E me descobri poeta
Daí dava de graça
As incompletudes
Mas ninguém queria
Então fui fazer engenharia
E ser mais um, ganhar a vida
Mas a faculdade era pública
E entrou em greve

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(rabiscos do meu caderno mal photoshopados, tirados com foto de celular. nunca tinha feito isso, mas desenhar antes de escrever foi bom)