A Tentativa Fracassada de uma Iniciação de Carreira Científica (de Exatas)

Bom, como todo Começo precisa de um começo, começarei por dizer que este não é um guia de “o que fazer se der errado?” ou “Como mudei minha vida radicalmente e agora sou uma pessoa extremamente satisfeita comigo mesma:”. Não. Esse é apenas mais um blog básico e egoísta que visa apenas retirar minha faculdade mental do ócio.

Há relativamente pouco tempo atrás (no início do ano), eu havia começado a faculdade de Ciências Físicas e Biomoleculares, na USP de São Carlos. Como muitos, estava contente por finalmente me livrar do ensino médio/cursinho e dar o primeiro passo em direção a vida adulta independente. Tenho que dizer que meus motivos de escolha pelo tal curso não foram dos mais lógicos possíveis – esse seria um bom motivo para o surgimento do fiapo que daria fim ao desfiamento de pano, encerrando mais um dos novelos de minha vida (dramático!). A primeira razão pela qual escolhi o curso é simples: achei que seria uma maravilhosa experiência de vida para que pudesse me inspirar nos mais diversos assuntos científicos, e quem sabe, escrever um livro, contar histórias. Mas quem é o inteligente que entra num curso de Física para contar histórias? Pois bem. As outras, as que eu realmente falava para as pessoas, era que eu me encantava por uma vida de “cientista/pesquisador”, e acrescentava aquelas falácias de que viveria sem me importar com o dinheiro. Mas eu realmente gostava de ciências – gosto, ainda. E qual delas não há mais filosofia, questionamentos embutidos do que a Física? Eu poderia ter ficado apenas com a física, talvez teria sido menos pior… Mas achava que ser apenas Físico não seria o bastante para um mundo que pede cada vez mais abrangência de conhecimento, mente aberta. Então escolhi essa Física Biomolecular por complementar o ensino com as áreas da Biologia e Química (a Matemática está embutida em qualquer coisa, então não há muito como escapar dessa). Porém, em pouco tempo, o que era para ser algo inovador, despertar perguntas, efetivamente fazer acender em mim a vontade do ‘fazer científico’, dispersou-se, sumiu, vanish.

[Farei aqui uma pequena reflexão sobre o que achei da vida acadêmica do curso, para os que não o conhecem. Minhas opiniões podem ser chatas e erradas.] O curso de Ciências Física e Biomoleculares, para começar, não se trata de um curso de biologia com um pouco de física anexado, trata-se de um curso de física com um monte de tudo anexado. Logo, se há alguma grande área das exatas que você não goste muito (a Química, no meu caso), é mais sensato você entrar num curso de Bacharel de Física, ou até mesmo uma engenharia qualquer, e puxar outras matérias de outros cursos ao seu gosto. Deveras, o curso é focado em criar cientistas, mas muito não sabem como um cientista de verdade trabalha, em que ambiente. Isso acontece porque, bem, não é sempre que conhecemos um cientista, eles são uma espécie rara. A menos que você conviva numa universidade com eles, mas fora isso… Talvez um parente? Enfim, eu não conhecia um cientista/pesquisador de verdade antes de entrar na universidade, e pequei nisso. De uma maneira ou outra, cientistas trabalham em laboratórios, realizando experimentos – nenhuma novidade até aí. Cientistas não se tratam de criaturas antissociais, que odeiam festas, longe disso! (bom, sempre existirão as exceções) Mas é verdade que a maior parte do seu tempo fica voltada a fazer trabalhos no computador, participar de seminários, encontros e mais encontros de discussões, e dar aulas, se já tiverem seus doutorados. Ainda assim, a maior tarefa de um cientista continua sendo a de realizar experimentos. Ficar confinado num ambiente com apenas um único propósito: seguir o método científico à risca. Observar, anotar os fatos, repetir o procedimento, observar mudanças, anotar as ocorridas, colher dados, até que se possa tirar alguma conclusão deste. Nunca antes de entrar para o curso parei para refletir o quão boçal seria ter que viver para fazer relatórios, repetições e análises. Mas é claro que tem gente que gosta. Gente que se maravilha de ver, por exemplo uma colônia de bactérias sendo formada. Uma das maiores expectativas de meus colegas era poderem participar da criação de uma proteína (mexendo com genética e afins), ver que elas realmente existem, estão lá e podem ser manipuladas. Admito que pode ser interessante numa primeira vez – é como ver Deus na cara e ter a certeza de que está lá. No entanto, guardo o sentimento de que para certas coisas, saber a causa não fará do efeito mais relevante, este é o meu pragmatismo falando mais alto. [Fim.]

Não posso dizer que a alta carga de estudo não pesou em nada para essa decisão. Não fui provida de um grande intelecto. Ser ordinária na capacidade de entender e resolver problemas (como exercícios de física) me fez ter que focar muito nos estudos. Senti que mesmo que se estudasse durante mais longas horas de que meus amigos, ainda assim, não teria um rendimento maior do que o deles. Abri mão das coisas que me davam mais prazer, escrever, uma delas. Mas ler livros, revistas, ver filmes, pesquisar bandas e músicas novas e até mesmo acompanhar o que se passava no lado de fora da minha bolinha de cristal da faculdade. Senti-me uma completa alienada em um dos feriados, quando voltei para minha casa no Rio de Janeiro.

Minha vida na faculdade não foi consumida apenas por um vazio, entretanto. Fiz bastante coisas que nunca havia feito antes. Como aprender a dançar forró, ir a treinos regulares de basquete, cozinhar para amigos, cantar na frente de desconhecidos, sem contar o fato de conhecer várias pessoas de cidades em cujo o nome nunca havia escutado antes, o que trás uma troca de conhecimento bacana. Mas acredito que isso faz parte de qualquer vida universitária, logo não é algo necessariamente extra do curso.

E assim foi. Quando vi que já não fazia mais sentido para mim pertencer aquele lugar, conversei com meus pais, parentes, e amigos próximos sobre meu desejo de desistir do curso. Recebi muito conselhos, opiniões, e principalmente, perguntas. Mas então, o que você vai querer fazer? Sendo que apenas sabia responder a pergunta do que eu não queria fazer. Foi um momento difícil. Um deja vu. Aquele momento por qual todos já passaram ou terão que passar. Minha vontade era responder que não iria fazer mais nada. Quiçá por uma mochila nas costas e sair andando mundo afora – delirei muitas vezes com isso. Mas por mais cômico ou triste que pareça, toda aquela vontade de viajar por aí, conhecer novos lugares e pessoas, que sempre cultivei, minguou. A única coisa que queria era voltar para casa, abraçar minha mãe e perguntar se ela queria que eu fosse a padaria comprar pão.

É engraçado como nossa memória, ou melhor, o sentimento que tiramos delas mudam. Até três meses depois de ter começado a vida em São Carlos, se me perguntassem, diria que não sentia uma grande falta emocional dos meus pais e de minha vida no Rio. Levo em conta que o ano anterior, de vestibular e estresse, não era uma das mais prazerosas. E era apenas isso que conseguia lembrar. Ufa! Como me livrei daquela vida chata! Mas aos poucos vamos recordando das outras coisas – coisas pequenas que no momento nunca damos valor a elas. Cada um tem as suas, não acho necessário mencionar as minhas, visto que são bem pessoais, mas seria como dar ‘bom dia’ ao porteiro do prédio. Coisas simples.

Findado isso, cá estou eu, em meu lar, aguardando mais um período de purgatório. O que me leva mais uma vez para a explicação desse blog: Ficarei dois meses aguardando até que as aulas de minha nova faculdade, a Escola de Comunicação da UFRJ, comecem no segundo semestre do ano de 2013. Para exercitar os ofícios da nova escolha, porque não por meio de um blog? E porque escolher Comunicações? Acho que seria tema para outro post. Até lá, beijos para quem se importa, pois não sei como terminar um post de maneira digna e esclarecedora.

One comment

  1. Querida, como tudo o que é importante na nossa vida deve ser bem feito e “com pressa”, porque temos pressa em sorver o prazer, tive, hoje pela manhã, o prazer de sorver seus pensamentos e conhece-la bem melhor, pois já dizia aquele velho Presidente da ABL, Austragésilo de Athaíde, “a fala é a expressão da alma”, com que aprendi, desde os idos de 1975, que é importante falar para fazer sua alma ascender do abstrato para a nossa dimensão real. E aí entra em cena aquela que mais gosto, aquila pela qual me apaixono, que me dá vontade de fazer: a “Comunicação Social”! E sem querer, desprenciosamente, surge você, fagueira, e me presenteia com tua fantástica intenção. Ah, com é fantástico o mundo. Diria um amigo: “Quem diria, ehn?”. Mas eu replicaria: “Diria sim, pois QUEM VAI JÁ SABE”. Não há no mundo novidade que nos faça surpresos. Tudo se repete, a boa e nova notícia ainda é a velha: TUDO É GRAÇA, e eu acredito em milagres. Bem vinda ao círculo de quem tem em si a chama de abraçar a todos e chamá-los a ver o “Grande espetáculo que é a vida”, pois não são poucos os que estão adormecidos. Savio. 06/07/2013

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s