Quisera apenas

Quisera apenas eu ser uma grande escritora
Talvez tenha sido grande na arte de pensar por longas horas
Mas não na arte de manifestar sobre o papel
Tudo aquilo que é permitido pela fluidez das palavras

Quisera apenas eu ser uma pessoa a frente do meu tempo,
Mas meus passos continuam presos
Aos mesmos passos lânguidos de minha avó
Ao caminhar pela Rua Baltazar Lisboa

Meus pés admiram uma praça, uma Igreja
Com a mesma ideia nostálgica de
Quão lindo deveria ser o passado
Apenas, sem saber, estavam admirando o presente

Quisera apenas eu ser capaz de amar todas as pessoas
Por igual, sem preconceitos
Ter uma alma livre e pura
Mas, como? Como!

Quando estou confinada ao meu corpo
E mente limitada, presa por raios catódicos
Que emanam sem parar
De uma caixa oca qualquer

Quisera apenas eu ser romântica,
Mas encontrei o romantismo na banheira
Com outra, e o afoguei
Ali mesmo, sem mágoas nem remorsos.

Deixei que a outra, realista
Fosse embora com tudo que tenho
Pois tinha enorme pena dela
Só se metia na pior, coitada

Quisera apenas eu saber fazer um poema,
Mas apenas consigo prosear
Usando fôrmas de versos e estrofes
E acabo deixando tudo queimar no fogão

Quisera eu ser muitas coisas,
Mas me contentei com apenas algumas.

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