Você-sabe-quem

Encontrar a si mesmo: o grande desafio das mentes dramáticas da gloriosa Geração Z. Filmes adolescentes, canções pop, seriados da TV à cabo, livros best-sellers, todos esses veículos da arte parecem abarcar cada vez mais obras que abordam o drama em questão, a mácula da nossa era, a grande luta que as pessoas travam para descobrir quem elas são. De Jean Valjean, um barítono perdido em sua própria existência, passando por qualquer protagonista dos livro de Meg Cabot, nós encontramos em meio à cultura pop muitos exemplos disso: pessoas ansiando pelo momento em que vão saber quem realmente são. Não que isso seja realmente um problema, conflitos existenciais existem e sempre existiram e funcionam bem na arte, porque existem na vida real, dentro de todos nós, mas parece ter se tornado senso comum a crença de que nós temos que achar esse “eu” perdido, ir atrás do âmago de nossa existência, e é aí que eu começo a discordar.

Eu acredito que nossa identidade sempre esteve conosco. Nós sabemos muito bem quem somos, só não sabemos no que iremos nos tornar. O problema reside não em encontrar o seu verdadeiro “eu”, mas em parar de fugir dele! Nós estamos sempre correndo de nós mesmos: corremos de nossos defeitos, fugimos de nossos erros, renegamos nossos egoísmos, escondemos as nossas cicatrizes debaixo de filtros do Instagram e tentamos passar liquid paper nas memórias ruins, quando são esses os elementos que pintam o quadro do nosso ser. Ninguém é uma tela vazia, uma página em branco, e a vida não é feita só de coisas boas, nem seres humanos, e é quando nós desistimos de nos esconder como uma adolescente gordinha no vestiário que nós, de fato, somos nós mesmos. É aí que você se encontra, fazendo as pazes com quem você é.

Eu sou fã do Jean Valjean, já li mais livros da Meg Cabot do que eu gostaria de admitir, não sei se existe uma foto no meu Instagram sem filtro, e sei que não é sempre que eu ando de mãos dadas comigo mesmo, porém acredito que seja importante, se não pra vocês, pelo menos pra mim, saber que o meu “eu” não está andando por aí esperando se encontrado num show de rock ou numa micareta, num campo de futebol ou num clube de xadrez. Eu tô aqui… Eu sei disso. E mesmo assim, não é tão fácil me aceitar sempre. Não é fácil ser coerente.

Mas quem é que já foi coerente?

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