Desconversa

Oi? Escutaqui, seu soteropaulistano; seu pau-de-arara urbano, seu vatapá temakizado; seu sujo de barba feita; seu nordeste sem paulo; seu paulo severinado; seu sertanejo de buteco; seu buteco sem sertão; seu kansas atijolado; seu lugar espaçado; seu espaço sem endereço; seu vitrineiro de quatro rodas; seu engana mãe; seu irmão perdido; seu filho abandonado; seu pai ignorante; seu marido sem mulher; seu seu sem sua; seu caça raios; seu corisco artificial; seu lampião eletrônico; seu Manaus desmazonado; seu sul-uruguaiano; seu mato indeciso; seu goiano vendido; seu mineiro bandido; seu tucano-cerrado; seu berimbau terceirizado made in Taiwan; seu bossa afinado; seu Vinícius sem tom; seu Tom sem Zé; seu antropofágico comensurado; seu pão português; seu pastel chinês; seu carro japonês; seu funk de fone; seu jesus de adesivo; seu fura-filas ajuizado; seu lambe-cus revoltado; seu jovem encanecido; seu velho contemporâneo; seu cibernético supranacional; seu auditório de rede; seu facebook intelectual; seu profeta desvinculado; seu partido desideologizado; seu mal abençoado; seu fé no amor; seu deus sem amor; seu amor não existe; seu iludido não nomeado; seu cão sem dente; sua mãe contente, meu irmão ladrão: o papo é que a notícia é história e a lembrança tá quente e o livro tá escrito, mas ninguém leu e a morte já aconteceu, mas ninguém compartilhou e nós vencemos, mas fomos os únicos que curtimos, mas eu disse para e você continuou e você disse liga, mas eu não atualizei a conversa e eu to com sono e eu não fiz, mas se eu dormir, eu posso não acordar. E agora, João? Tu era fabuloso ou fabulista? O dia que eu sonhar que as palavras dão respostas a poesia acaba? Tomaranã que não, que êh êh, que acorde e o dinheiro dê e que seu vire meu, mas sem Soma, sem eurásia, lestásia, oceania, sem pastelão de família, sem formiga cumpridora, sem barata acomodada. Que seu vire meu e meu vire seu e nunca uma coisa seja por si só. Que enterrem Platão, mas deixem o platonismo. Que ergam o rio asfaltado e deixem, ali, como monumento para aquilo que passa como rio, mas já não é. Porque amanhã ainda é uma vida inteira. E meu, tô no atraso. Aloha.

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