Pererê caixa de fósforo

Quando a hora for certa, você saberá que já tem muito janeiro.  Eu não me ligo muito em janeiro. Mas agosto é quente em alguns nortes e as coisas que têm que acontecer, acontecem. A menina que fala bruto e tem sorriso derretido diria que essa minha resenha já ta muito ré. Ela disse assim mesmo, que ta ré. Mas veja bem? Um dia eu aprendi que a verdade das coisas é não esquecer e, então, comecei a olhar muito as pessoas nos olhos. Isso é coisa de grego. Mas gregos só ajudam a fazer tese, pois sempre se esquecem dos cantos das musas e criam pandoras pra agradar. Qual foi a última vez que você olhou dentro dos olhos de uma pessoa? Pra mim os astros estão sempre retrógrados. Minha mãe diria que ela é de Áries e que não se afeta com isso, e pererê caixa de fósforo (lê-se etcetera). A vida da minha memória existe há quatro ou cinco anos. O resto é como encontrar instantes numa pilha de folhas secas ou diferenciar os tipos de árvores do cerrado. A não ser que seja pé de manga, que é um pé formoso. Aqui as mangas são também formosas e lambuzam minha boca como um seio feminino. A memória é o caminho cheio de vida que o poeta toma pra desemborcar na morte. Quando forem muitos janeiros, eu vou me esticar ou me encolher? Não sei, eu gosto de coisa que enruga: ruga, cabelos, suas palavras duras. E quando forem muitos agostos, será que eu vou perceber?

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s